terça-feira, 1 de setembro de 2009

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Para encher os olhos meus








Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir

Pra você guardei o amor
Que sempre quis mostrar
O amor que vive em mim vem visitar
Sorrir, vem colorir solar
Vem esquentar
E permitir

(nando reis)

sexta-feira, 14 de agosto de 2009





Vísceras, por favor. Agora as vísceras, meu bem. Eu quero o que houver de sangue e tinta em ti. Eu quero justamente aquilo que você chama de sujo. Agora quero cada esquina encardida e mofada de vida escabrosa. Posso ver fogo no seu olhar, eu sei que você sabe que tem. Agora vai, docinho, vire-se pois quero ver seu jeito certo de andar e dizer que sabe fazer escolhas na vida. Quero ver chegar em casa e enquanto fuma um fritar um bife mal passado ouvindo Velvet Underground. Essas vizinhas podiam ao menos fazer silêncio uma vez na vida enquanto me concentro em tudo que queria pedir para ti, pois talvez essa tenha sido a última vez que nos encontramos, pois sabe, meu bem, acho que nada tenha sobrado de mim. Um tamanho esvaziamento foi se dando, senti tudo tudo tudo escorrendo de mim, os acúmulos obscenos que eu carregava, tudo tudo tudo derretia, meu cérebro sem ácido latejava de tanta gordura e leitura, meu deus por que cargas d'água inventei de ler tanto? À noite cheguei em casa e abri logo duas cervejas, e comi bolo de chocolate dando garfadas direto da forma. Talvez eu tenha dançado e gritado, o que assustou as vizinhas, pois elas fizeram silêncio. Acho que depois saí para comprar mais cerveja, não lembro, mas olhei para a casa e achei tudo tão preenchidinho. As coisas meio que com sem lugar. Uns papéis na mesa, uns carrinhos no sofá. E poxa, aquilo me enterneceu de tal maneira que o que restou de mim percebeu que era só uma questão de felicidade. Yes benzinho, eu explico, vire-se mais para cá, sorria, é que eu sou feliz. Claro que isso me custa angústias terríveis, você nem sabe.  Mas é que para onde quer que eu olhe eu pego um atalho que me leva longe, longe daqui ou mais tarde. É que eu sei fazer isso, eu sei fazer das tripas coração, meu bem. É isso o que sei fazer, tome aqui o meu curriculum. 

sexta-feira, 31 de julho de 2009

uma nova onda que me leva leva leve


Foi assim. Quando cheguei na piscina as velhinhas já estavam saindo friorentas. Me atrasei apenas 45 minutos para a aula de hidro... com um óculos de criança na mão o professor incentivou meu orgulho esportista a ficar para a aula de natação. Há 20 anos atrás eu havia decidido nunca mais enfiar minha cabeça embaixo d'água por incompatibilidade de espécie, ou traumas de infância, como queira. Mas lá estava eu desafiada com os pequenos óculos a desbravar o mundo aquático. Quando dei por mim, meu corpo estava coberto de escamas luminosas e sim eu cintilava e deslizava. Ahhh, o que se deu depois disso não sei se sou capaz de contar. Eu comecei a falar todas as línguas do universo, e para surpresa da minha atroz tímidez não havia um só ser que eu não seria capaz de estabelecer contato. Foi assim, juro. Quando tirei os pequenos óculos amarelos, eu via por detrás, através, de viés, desviado, de cima, por dentro, eu via tudo o que se pode ver. Ahhh, deslizar e ver...seria o bastante se eu também não ouvisse o longe, muito longe daqui ou mais tarde. ouvisse os ecos. os mistérios. os elos. os loucos. e Hermeto, não? Foi assim que revi reouvi requis reamei Hermeto Pascoal com sua música livre. Passou por mim mas capturei no shuffle com repeat, sou meio apegada ainda com algumas coisas. E assim se deu uma sucessão de coisas, fatos e pessoas. E fotos, claro. E o que tenho pra dizer sobre isso é tanto que não ouso dizer aqui. Tudo junto num grande oceano, porque eu também fui parar num circo, para quem não entendeu o último post, e é lógico que esse episódio contribuiu também para eu aprender a andar na corda bamba com todos os apetrechos, escamas, asas, orelhas supersônicas, e os óculos, claro. Claros. claríssimos. E tudo isso com Chuck Berry Fields Forever, porque não dá para não pirar, mesmo com a versão da Ana Cañas, que aliás seu último cd deveria chamar: ex-marido, marido e afins. Mas tudo bem, eu também sou meio assim, insistente nos meus temas, senão não estaria escrevendo esse texto. Texto este que aliás é uma explicação para meu novo amigo entender como cheguei deslizei nadei dancei até ele. Mas confie sempre no velho Gil, só para concluir o assunto anterior. Então foi assim. Numa madrugada embriagada entrando nos vastos mundos sendo teleguiada pelo rhythm'n'blues. Foi super super surpresa descobrir ele e o Pullovers lovers no meio disso tudo. Mas como surpresa já é hábito lá fui eu navegar navegar navegar.Nunca entendi o nome da banda, continuo sem entender e nunca entenderei mesmo entendendo que faz sentido no começo. Mas vi a sutileza do olhar, de se misturar por entre a cidade e arriscar seu timbre poema canção no meio do caos e amor, tanto amor. Só os inteligentes são amorosos. E amor exige força. Que me desculpem os fracos que fogem da verdade e tentam controlar suas vidas de algum lugar distante do perigo, e do afeto. Mas enfim ele me surpreendeu pela qualidade das palavras, eu que sou esteta tão vulgar pude ver entranhas e não hesitei em me embrenhar pelos emaranhados de seu caminho. intrometida. oh yeeeees. Eu sou e foi assim que sou. Viagem passagem minha na nova nova nueva ueba onda, e ele ainda por cima é surfista da vida. É isso que tenho pra dizer, embora pudesse falar de tantas outras coisas que ele quisesse saber. 

sábado, 25 de julho de 2009

roda brasil ou rancho da goiabada



Na corda bamba a confiança. No picadeiro o sonho. o velho meu novo sonho teu. Nos olhos o brilho o riso o lugar. lugar de poder estar de ter enfim um fim. não ter que seguir um sol - capital estrangeiro. alívio da própria lona. da própria pele. alegria de um circo brasileiro. No rosto a franqueza. o suor. Toda arte por si só já é engajada. Comprar ou não um ingresso é protesto. Fazer arte e saneamento básico é o grande malabarismo. o grande velho sonho. de novo. o novo sonho teu. Nos olhos as lágrimas. o alívio de enfim chover plantar e colher. 


Amar 
o rádio de pilha .fogão jacaré.  a marmita. o domingo. o bar. onde tantos iguais se reúnem contando mentiras para poder suportar. são pais-de-santo paus-de-arara são passistas. são flagelados são pingentes balconistas. palhaços. marcianos. canibais. lírios pirados. dançando dormindo de olhos abertos na sombra da alegoria  dos faraós embalsamados.

sábado, 27 de junho de 2009

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Francesca Woodman






Sim porque é possível liquifazer-se.  Sim porque eu também já morri. Sim eu busco. Sim eu fujo. Sim em mim, de corpo inteiro, generosamente. Sim a arte me parte. Sim, uso colo Pritt. Sim eu aceito. Sim a verdade aparece. A resposta é sim. Para todas as dúvidas, sim.  Sim, eu aceito uma cerveja. Sim sou um erro de Paralax. Sim porque sim. Sim hoje é um dia especial. É com honra que reconheço que não escolhi. Numa espécie de ordem cósmica das coisas as coisas simplesmente aconteceram assim. Sim como eu queria. Vai ver que é porque  sim eu escolhi sim. Ou não, pois sim. Mas agora há silêncio e eu preciso ouvi-lo. Sim, é um abrigo no peito. Sossego. Deitar na areia morna. Ter olhos de grandes olhos abertos. Saber piscar devagarinho.  Ser mulher é um jeito de saber o mundo. Sim eu me sento no canto com um sorriso no canto do rosto e longe daqui sou o centro de tudo. Derreter sem corpo sou tudo que te escapa. Encarar o obturador e sou tudo que te escorre. Sim que derrama no assoalho, infiltração em ti. Sou praga devastadora que te consome sem ruídos. Sou porque na verdade não posso ser. Só reflexo aflito vivo um conflito. Não sou boa companhia, já aviso. Me deixe ali naquela esquina. Sim, eu aceito outra cerveja. E te espero no balcão com sorriso para estranhos. Já de olhos cansados do fundo do mar. 



quarta-feira, 20 de maio de 2009

Delírio.delírio.delírio. sem ópio nem morfina. derramando na veia o amor que ama amando demais. transbordando. ando ando ando em campos de papoulas que não acabam mais. fui longe, bem longe daqui ou mais tarde. vi tudo ainda além e sorri. desamarrando os nós pois amo errando demais. totalmente. ternamente. tragicamente. amo em tom de alforria. amo em transe de tambor. amo em vermelho de exílios. amo em cítaras ciganas. amo em outras vidas. amo de vertigem e coragem. amo logo de cara. amo com filho e cuía. amo de alma e arrepio. amo de segredo público. amo em delírio.delírio.delírio.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Two

Sim, é possível um belo recomeço
virar tudo do avesso 
do eixo
do eu
do oco
roer o osso
lamber os beiços beijos becos
ser bom a beça
viver no precipício isso isso isso
quem gosta de abismo
tem que ter asas

Sim, tudo novo de novo em folha zero zerinho. olhar o seu olhar e me ver. reflexo convexo de fluxo. eu sempre sempre sempre aqui. entre a prateleira. cinema europeu e drama. tesão. balcão e chão. chave e geladeira. filho precipício do início. ladeira a baixo. alma lavada. e eu sempre sempre sempre aqui. entre a geladeira. realidade e ficção. paixão. pia e colchão. amor e fila do pão. eu sempre sempre sempre lado a lado. contra a parede, contra a corrente, contra a maré. cavalo alado. infinito infiltrado. você como meu amado. sempre sempre sempre. de novo.
 




quarta-feira, 8 de abril de 2009

Por aqui infinito

Por aqui tudo serras da desordem na terra do caos e cañas.
Por aqui um jeito manso de piscar os olhos. de discordar do mundo. de disfarçar dos outros. de passar batido.(tomara que ninguém perceba que vim de longe para estar aqui.)
Por aqui ficção para viver o que realmente é. Por de trás das câmeras as pernas cruzadas sob a saia arriada.
Por aqui viver uma espécie de off hediondo e profano.
Por aqui um jeito de entortar a boca mordendo o lábio.
Por aqui blackout.
Bang Bang.
Por aqui a menor expressão de cada gesto para dizer o que não é dito.

segunda-feira, 30 de março de 2009

     Dela, herdei o gosto por samba-canção. 
   Sentada na máquina de costura, cantava centenas de vezes o mesmo refrão. Eu encarava assustada a capa do LP que girava na vitrola. Eram grandes e dramáticos olhos. Foi assim, meio com medo, que conheci Maysa.
   Os discos cheiravam a mofo e a maresia, ao mesmo tempo. E eu adorava o barulhinho da agulha rangendo no vinil. Orlando Silva, Nelson Gonçaves, Doris Monteiro, Lucio Alves, Braguinha, eram tantos que mal cabiam nas férias que eu passava com ela, minha avó. 
   Dick Farney era o homem mais lindo do mundo, confessávamos uma para a outra. E eu sabia, quando escolhia o disco de Elis, que ela ficaria com os olhos cheios d'água. Aliás, a única vez em que a vi chorando foi na morte de Elis Regina. Cantora essa que evitei um bocado na infância e que só me permiti resgatá-la há pouco tempo, não também sem chorar, herança genética.
   O que eu gostava mesmo eram das marchinhas de carnaval, Lamartine Babo, Pixinguinha, Cartola, Ary Barroso. Que delícia, ela deixava eu vestir seus vestidos longos e colocar todos os colares de seu armário. Vaidosa que só ela, sua coleção de brincos e afins, broches e maquiagem era imensa, e to-di-nha minha nesses momentos. Eu dançava vestida de Carmem Miranda até doer o pé. E ela me contava histórias e histórias de Carnaval, e todos os bafos envolvendo as cantoras do rádio, as brigas de Linda e Dircinha Batista.
   Ela me levava para os bares de Santos, onde sempre tinha um violão e eu podia cantar "Carinhoso" e "Conversa de Botequim" ( Seu garçom faça o favor de me trazer depressa...) para surpresa de todos. Depois de algumas caipirinhas ela ía para uma boate chamada "Chão de Estrelas" numa referência explícita a Silvio Caldas. Mas lá eu não podia entrar. E eu ficava então a imaginar toda a sorte de coisas que acontecem num lugar com esse nome. 
   Hoje eu sei que ela não pisava nos astros distraída, pois sabia que a ventura dessa vida, é a cabrocha, o luar e o violão.


domingo, 22 de março de 2009

A guinada


Já sabia que seria assim. Havia um furacão rondando.
Mas quando chegou foi como um suave sopro.












sexta-feira, 13 de março de 2009

futebol e amor


Cada dia de escanteio, cada impedimento.
Toda bola fora.
Cada bolada na cara.
Toda derrota amarga.
Tudo que vivi valeu a pena para levar meu filho na primeira aula de futebol.
Instintivamente ele entendeu  a coragem de um chute.  
E me deixou toda orgulhosa na arquibancada.






domingo, 8 de março de 2009

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

sobre a arte de ser gladiador e saber tirar proveito disso, e não estou falando da horrenda sandália homônima



Li isso num blog:
"Há confrontos que nada trazem de poderoso, a não ser uma provação que passadas as primeiras curiosidades será logo ridícula."
E fiquei pensando, seja lá o que aconteça na vida das pessoas, a tal provação deveria ao menos deixá-las mais bonitas. No mínimo mais magras. Mais inteligentes seria pedir demais? Menos fútil já estaria de bom tamanho...
Sei lá, tem gente que se contenta com tão pouco que me dá aflição.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

domingo, 15 de fevereiro de 2009

dance me to the end of love ou que dilema de hamlet que nada


A mão que amassa o pão. que mata. que muito.
É tudo fluxo.
queria mesmo era esse luxo.
marido e filho brincando de massinha na cozinha.
Se quiser eu desembucho.
queria mesmo era voar até o Índico.
ir pra Bali e seguir o velho bruxo.
comer o pão que o diabo amassou.
marido e filho dependurado nos utensílios de cozinha.
Queria mesmo ser quem eu sou. 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Um dia da caça... o outro da pesca.
Tô cansada de acreditar. de vagar pelo mundo como um lugar simpático.
Hoje eu queria te encontrar. Sentar e sentir ânsia.
Poder reclamar como se isso fosse poesia útil.
Hoje eu queria ter aquele olhar de lobo que devora tudo.
Mas junto com a calma veio também um cansaço.
Até mesmo para ir ao teu encontro.
E então você chegou.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

H.H

Porque há desejo em mim, é tudo cintilância.
Antes, o cotidiano era um pensar alturas buscando aquele outro decantado surdo à minha humana ladradura.
Visgo e suor pois nunca se faziam.
Hoje, de carne e osso, laborioso, lascivo toma-me o corpo.
E que descanso me dá depois das lidas.
Sonhei penhascos quando havia o jardim aqui ao lado. 
Pensei subidas onde não havia rastros.
Extasiada, fodo contigo ao invés de ganir diante do nada.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008



Diante do medo um sorriso aeróbico
Nas bochechas a caimbra de uma alegria incompleta
nada como um sorriso burro e paranóico
Para não perceber a velocidade terrível da queda.










quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Sobre árvores e esquecimentos


e então me dei conta que morava em Alberobello e era uma artesã. 
Confesso que foi bom perceber que sempre estive aqui, no alto da colina, longe do mar, o que me faz falta, é verdade,mas não há secura.
Por aqui tudo brota, até uma imensa figueira que me acolhe com seu perfume místico quando não sei quem sou.
Há também um velho carvalho. Ele foi muito podado pelo lenhador, agora posso ver. Suas raízes fortes não deixam seus galhos balançarem ao vento, sem direção. O carvalho ri envergonhado dos figos frondosos que caem aos seus pés. Ele não pode alcançá-los, nem devorar sua carne roxa e suculenta.

A cidade é cinza para quem não sabe olhar, e eu tenho como missão guardar as cores escondidas nas frestas das ruelas.
Passo longos dias contemplando o fluxo com a alma livre e o corpo cansado. Escolhi ser barro trabalhado pela vida, e não me assusto se esse caminho não tiver paradeiro. Ser sozinha, ser selvagem e desobediente civil. Rasguei meu título de eleitor e nem raiva consigo sentir de Berlusconi. Ele nasceu em 29 de setembro de 1936. E por que ele também não poderia ser eu?
Sou quântica e holográfica, com relevo e profundidade. Integral e inteira. Não nego, sou negada.
Falo um dialeto das árvores que aprendi com os assírios, de uma época muito muito distante, de quando vivi na Mesopotâmia. Sim, também isso já aconteceu. De qualquer forma sempre fui camponesa, o que me enche de dignidade,porque sei o meu lugar no mundo.



Eu me reconheço, mas não lembro de nada disso. Deve ter sido longe daqui, ou mais tarde.

domingo, 23 de novembro de 2008

A Darth é assustadora de perto ou para uma amiga que nunca ousei gostar tanto e que faz tanta falta


        

            Há um olhar que sabe discernir o certo do errado e o errado do certo.
            Há um olhar que enxerga quando a obediência significa desrespeito e a desobediência representa respeito.
            Há um olhar que reconhece os curtos caminhos longos e os longos caminhos curtos.
            Há um olhar que desnuda, que não hesita em afirmar que existem fidelidades perversas e traições de grandes lealdade.
            Este olhar é o da alma.



quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Este lugar é uma maravilha mas como é que faz pra sair da ilha?


Acordei fazendo cinema. Passos largos rumo a longa vida. Sim, acordei corajosa. 
Acordei catando os desejos espalhados pelo chão, escolhendo os que queria para o dia. Há que se respeitar meu momento hedonista.
Muita loucura acontecendo. A tal da Esperanza. Freedom. Fazer canto e oh yeah fazer jazz. Sim, a prática do shuffle também. 
Há todo um futuro vinil pela frente. Uma nova onda pra surfar, novas bossas.
Acordei então cena a cena. E nada é despercebido nessa ilha de edição. Recrio paixão em meus personagens. Coloco trilha sonora invisível. E eles dançam até mais tarde.
Acordei de grandes olhos abertos para o oceano pacífico.  

 

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Mas a sala rodopia e a pele treme, sim, há. 
Existe a física quântica, existe sim.
Nossas bocas se encontraram na lata de cerveja, sim.
E sou muitas, sou uma, sou aquela.
E há que se respeitar.
E quero ver dormir com um barulho desses.
É movimento, ritmo, há pulsação sim.
E não estou falando de você, nem de mim, nem de ninguém.
E não venha me decifrar pois vou te devorar.
Com a língua, com o gesto, com o acaso. 
Com o que permeia, impesteia, promete.
Há o trago de afago, tela de proteção golpe de realidade.
Nessa noite há arte e amor até mais tarde.
Ele veio me falar de desejo e prazer, e entrego o corpo à câmera. Ele fala de lado A e lado B.
Aflora. E fala de shuffle, e é fantástico. É realmente incrível que com mil possibilidades, o shuffle surpreenda por não se saber o que será visitado.
E me entrego, sim.
A dor e a delícia. 
À dor e à delícia.
Há dor e há delícia. 

terça-feira, 14 de outubro de 2008

de quando te (re)conheci ou porque Caótica Ana é mais do que simplesmente um filme para mim







Ontem quando te abracei na rua eu vi que o pedestre do pé no asfalto parou. Amar é algo assim como a eternidade.
Eu vivo plena, entre poemas e cebolas, mesmo que me veja assim chorando. Eu sei que você não vai entender pois ama seco quase sem suor, sem lágrima, sem sal algum. 
Eu te disse também ontem que agora eu era uma mulher sem dentes, e é verdade, eu acreditava na força da dentadura mas hoje sei que sobrevivo de sopa.
Eu não sei qual palavra usar pra dizer que sinto tua falta. 
Eu não sei como dizer que sou fênix sem dono e que ontem quando te abracei naquela esquina, na verdade eu já tinha ido. 
Aquele tempo não passa nunca. E o pedestre permanece ali, in-visível aos olhos.